Hidrogênio verde: a hora do Brasil mostrar a que veio

O hidrogênio verde vai deixando aos poucos o campo das promessas e dos debates e começa a se concretizar no Brasil. Diferentes segmentos da atividade econômica brasileira tem unido forças e ideias para colocar essa produção no Brasil em escala e fazer realmente o país se tornar um líder na produção e exportação de um dos combustíveis mais aguardados para descarbonizar a economia, elevar o potencial produtivo das indústrias e, claro, reduzir os custos com consumo de energia.

A manchete está estampada para quem quiser ver: Brasil tem potencial para liderar a corrida do hidrogênio verde porque tem litoral à vontade e infraestrutura portuária graças à sua vocação de commodities. De boa vontade, diversos setores do país estão cheios. Empresas, universidades e governos têm assinado memorandos de entendimento para estabelecer as bases para esse sucesso.

A ABB é signatária de uma dessas intenções oficializadas. Assinou um memorando de entendimento com o Governo do Ceará para criar um hub para produção de hidrogênio verde no estado. Cabe à ABB ser a parceria tecnológica com estudos de viabilidade técnica para construção da planta de produção. Para fazer o hub produzir, a empresa vai entregar soluções digitais de gerenciamento de energia de fontes renováveis - eólica, solar, biomassa e hídrica - e equipamentos elétricos e retificadores. Todo esse aparato digital ajuda em uma questão crucial para que o Brasil seja bem-sucedido: redução do custo de produção do H2 por quilo produzido.

Como em qualquer segmento da indústria, custo é o ponto crucial de qualquer produção e operação. No caso do hidrogênio de verde, são questões relacionadas ao custo de sua produção que ainda travam, por assim dizer, esse combustível de fluir pelo mercado global. Algumas contas demonstram o tamanho do desafio.

Para aumentar a capacidade de produção para 50 vezes o necessário, o custo para produzir hidrogênio verde precisa cair 50%, para menos de US$ 2/kg até 2026, aponta um estudo da Green Hydrogen Catapult, frente global formada por importantes empresas de energia. Neste caso, a vantagem está novamente para o Brasil. Como o nosso país é um dos que mais produz energia renovável, indispensável para dividir a água em oxigênio e hidrogênio, é também um dos que pode oferecer o hidrogênio verde com o menor custo, a US$ 0,55 por quilo até 2050.

Para além das vantagens em infraestrutura e disponibilidade de recursos naturais, é necessário também a consolidação de uma regulação que não só favoreça a produção de hidrogênio como também protege as indústrias. Algumas movimentações na seara legislativa do país já começam a acontecer. A última delas é um debate promovido pela comissão especial do Senado criada para acompanhar programas de governo para produção de hidrogênio verde. Em Brasília, membros da comissão e outros políticos ouviram de especialistas sobre a necessidade de criar um marco regulatório para produção do hidrogênio verde no país.

As águas são favoráveis para o Brasil nadar de braçada, mas se a indústria brasileira não se preparar adequadamente pode naufragar. Para dar certo, os equipamentos e soluções precisam ser inteiramente baseado em alta tecnologia.

Tecnologias para o Brasil ser líder mundial em hidrogênio verde

Escalar a produção de hidrogênio verde é possível com tecnologias como o OPTIMAX, da ABB. Essa é uma plataforma de gerenciamento de energia que dispõe de várias soluções de controle tanto para administrações mais simples quanto para as mais complexas com diversas fontes de energia e de consumo.

A plataforma OPTIMAX leva em conta diversos aspectos do processo de produção de hidrogênio e isso inclui a curva de eficiência de cada eletrolisador individual, o que permite otimização completa e em tempo real. A tecnologia está sendo usada em uma planta de hidrogênio verde na França.

A Hynamics, subsidiária do grupo EDF para produção do combustível, contratou a solução da ABB para gerenciar o consumo de energia e otimizar os custos em 16%. A estação de hidrogênio a 170 quilômetros de Paris deve abastecer com o combustível cinco ônibus da rede de transporte Transdev, além de veículos leves e caminhões. Isso significa menos de 2,2 toneladas de C02 emitidos por veículos de transporte ao ano.

Sobre o Autor

Renato Martins - Diretor da Divisão de Energia no Brasil
Renato Martins - Diretor da Divisão de Energia no Brasil
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O hidrogênio verde de fato vai movimentar a economia mundial em todos os aspectos. Há potencial para incrementar a produção industrial, descarbonizar a economia e abrir novos mercados atrelados à cadeia que o combustível mobiliza. E no topo de tudo isso, pode estar o Brasil. Não existe hora melhor para o Brasil assumir a vantagem estratégica que possui e entrar para ganhar.

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