As Revoluções Industriais sempre buscaram aumentar a produção das fábricas em grande escala para atender à demanda dos clientes, com a inserção das máquinas, uso da energia e, mais tarde, atuação da informática. Já na indústria 4.0, soma-se a esses fatores, a relação homem-computador que se torna cada vez mais estreita com a criação de tecnologias para automatizar os processos e otimizar os resultados, deixando-os mais próximos do desejo de consumo e do que seria ideal para a operação do negócio.
Em paralelo ao já conhecido processo industrial, a economia circular também vem ganhando mais visibilidade e inserção. Esse modelo consiste em uma nova forma de pensar a relação com as cadeias de produção, ou seja, de trabalhar de um modo responsável e sustentável desde o início do processo com os recursos naturais para prolongar a sua vida útil e aproveitar, até mesmo, o seu descarte com métodos de reciclagem pós-consumo. Assim, as vantagens se desdobram em diminuição custos, multiplicação de empregos, uso da matéria-prima de maneira mais inteligente e com mais respeito ao meio ambiente.
Em suma, a economia circular se apoia em reduzir, reutilizar, recuperar e reciclar materiais e energia e leva em consideração como esse ciclo impacta pessoas e empresas. Mas como a indústria 4.0 pode se encaixar nesse cenário? A resposta reside na tecnologia, empregada para dar mais autonomia às operações e entregar dados estratégicos que impactam diretamente na redução do consumo de energia e na emissão de gases poluentes.
Os avanços da ABB na economia circular 4.0
E é por meio de soluções integradas que a ABB caminha para incorporar cada vez mais os critérios listados acima em suas operações e de seus clientes, como a Boliden, mineradora sueca, que é um case nesse quesito. Pioneira em mineração sustentável, utiliza a estrutura de energia da ABB para caminhões elétricos a fim de diminuir as emissões de carbono, os custos operacionais e a impulsionar a produtividade na mina de Atik. A ABB ajuda a empresa a economizar 830 m3 de diesel anualmente e a diminuir em 80% as emissões de gases de efeito estufa.
Como se nota, a empresa já está trabalhando formas de inserir a circularidade na sua cadeia de produção e modelo de negócios. No período 2013-2020, a ABB pretende reduzir em 25% a retirada de água em instalações localizadas em bacias hidrográficas com estresse hídrico médio a extremamente alto e, mesmo que as atividades não exijam tanto desses recursos, há o comprometimento com a preservação do meio ambiente1.
Recentemente, uma parceria com a Stena Recycling 2, companhia que cria soluções para reciclagem, vai utilizar esse processo sustentável em transformadores antigos. A ideia é reutilizar ou reciclar até 99% dos materiais, sendo 64% de reciclagem de material, 35% limpo, e o 1% que sobra vira sucata.
Outra atitude da ABB que apoia, ainda mais, a economia circular é a aplicação de sensores digitais em motores elétricos existentes, possibilitando a manutenção preditiva que mantém esses equipamentos em uso, otimizando a capacidade de eficiência energética e promovendo compreensão do custo real de propriedade.
E o comprometimento com o modelo circular se reforça, também, com a participação da empresa na rede circular que é líder mundial, criada pela Fundação Ellen MacArthur. Ao lado de outros grandes nomes do meio corporativo, a ABB irá compartilhar ideias e ajudar na transição global da economia linear para a circular 3.
Além do trabalho de empresas, como a ABB, é de fundamental importância a participação do governo e de outros setores da economia para que o consumidor final usufrua dos benefícios que o modelo circular pode proporcionar. Infraestrutura, conscientização e acesso a essas tecnologias é um movimento básico para um futuro não tão distante e que vai mudar ainda mais o cenário após a sua consolidação.
Economia circular e os ganhos para a sociedade
Investir em economia circular pode gerar ganhos sociais e econômicos. A Organização Internacional do Trabalho (OIT), por exemplo, relata no estudo World Employment and Social Outlook 20184 “que os esforços para combater as mudanças climáticas até 2030 irão gerar um saldo positivo de 18 milhões de empregos em todo o mundo”. Os novos postos de trabalho viriam da construção e da manufatura na criação de novas fontes de energia e do avanço da eficiência energética. Segundo o relatório, só na América Latina, a previsão é de um milhão de novas oportunidades de trabalho com o objetivo de garantir benefícios sociais de grande relevância, especialmente, para países em desenvolvimento.
Já quando se trata de vantagens financeiras, conforme explica a Fundação Ellen MacArthur 4, é possível ter lucro a partir da união do incremento da receita com as novas atividades da economia circular e a diminuição de custos de produção por conta do uso mais assertivo dos insumos. O Fórum Econômico já informou o potencial de a circularidade aportar US$ 1 trilhão à economia global.
Acompanhar os ciclos evolutivos da economia pode levar a grandes feitos, como se tornar referência não só para os consumidores, mas também entre os pares. Muitas empresas já iniciaram essa transição para incorporar preceitos desse novo modelo - assim como a ABB -, que busca manter sempre um equilíbrio e trabalhar ao máximo a reutilização dos materiais. Uma indústria circular 4.0 vai contribuir para uma produção veloz, personalizada, com otimização de etapas e promover mais atenção com quem participa dessa cadeia produtiva e também por quem é impactado por ela.
Referências
1 - https://sustainabilityreport2019.abb.com/responsible-operations/resource-efficiency.html
2 https://new.abb.com/news/detail/63322/abb-power-grids-and-stena-recycling-in-circular-cooperation-around-transformers
3 https://www.ellenmacarthurfoundation.org/news/abb-amazon-and-aquafil-join-our-network
4 https://www.ellenmacarthurfoundation.org/assets/downloads/Rumo-a%CC%80-economia-circular_Updated_08-12-15.pdf