Melhorar a eficiência energética até 2030 é um objetivo comum, mas a sua concretização tem-se revelado particularmente exigente para o setor industrial. Com o passar do tempo, quer pelo contacto com outros especialistas na área, quer através de investigações realizadas neste setor, percebi que, para alcançar esta meta, precisamos de ultrapassar vários obstáculos que se interligam e que tornam o processo mais complexo. Ainda assim, é exatamente na superação destes desafios que reside uma oportunidade para o futuro das organizações.

De acordo com o estudo “Eficiência agora: Superar barreiras internas para a eficiência energética industrial”, 43% das empresas considera que as questões financeiras são o primeiro obstáculo. Honestamente, não é de estranhar que muitos líderes vejam o investimento em eficiência energética como um gasto que pode ser adiado, sobretudo quando o retorno do mesmo não é imediato. A pressão por resultados rápidos e a necessidade de equilibrar o orçamento cria um ambiente em que a eficiência energética é frequentemente tratada como uma prioridade secundária. No entanto, esta é uma visão limitada.
A eficiência energética representa um investimento estratégico que pode gerar poupanças substanciais a longo prazo e, mais importante ainda, que vai reforçar a competitividade da empresa. O ponto fulcral é que as empresas precisam de adotar uma visão de longo prazo, na qual os custos iniciais de implementação não são vistos como uma despesa, mas sim como parte de uma estratégia para garantir a sustentabilidade e a inovação.
Muitas vezes, a concretização desta estratégia exige mudanças estruturais, algo especialmente necessário para empresas com infraestruturas desatualizadas, por exemplo, sobretudo porque a falta de modernização pode comprometer seriamente a competitividade, exatamente quando concorrentes mais ágeis adotam soluções eficientes, reduzem custos e aumentam a produtividade.
Ao contrário do que possa parecer, a inovação tecnológica não representa um obstáculo, mas sim uma das maiores oportunidades para reduzir custos e melhorar a eficiência. As empresas que não se adaptam a esta realidade arriscam-se a ficar para trás. Por outro lado, aquelas que se mostram recetivas à mudança, posicionam-se como líderes estratégicos no setor.
Independentemente disto, a inovação tecnológica não depende apenas de equipamentos modernos, exige também mão de obra qualificada capaz de extrair o máximo dessas soluções. E isso, sim, representa um verdadeiro desafio. Sem profissionais preparados para operar tecnologias avançadas e otimizar a gestão energética, o progresso fica comprometido. Por isso, torna-se essencial investir no desenvolvimento das equipas e fomentar uma cultura de aprendizagem contínua. A formação interna não só melhora a eficiência, como também reforça a competitividade e a resiliência da empresa.
Para além de equipas qualificadas, é fundamental tomar decisões com base em informações precisas e atualizadas. Nesse sentido, a recolha e a análise de dados são aspetos críticos. Sem sistemas de monitorização robustos, as empresas não conseguem identificar áreas de melhoria nem agir com base em dados concretos, o que limita o seu progresso.
A boa notícia é que as tecnologias de análise em tempo real têm vindo a colmatar esta limitação. As empresas que adotam estas soluções conseguem otimizar as operações, reduzir o desperdício e obter uma visão clara sobre como evoluir. O acompanhamento inteligente não só permite poupar, como também inovar, criando processos e modelos de negócio mais sustentáveis.
Com todas estas dimensões (tecnológica, humana e estratégica) alinhadas, as empresas estarão mais preparadas para enfrentar os desafios da eficiência energética e transformar os obstáculos em oportunidades. Com o ano 2030 a aproximar-se, torna-se crucial que as empresas consigam ultrapassar estes obstáculos, não só pelo impacto positivo que trará ao planeta, como também pela vantagem competitiva e significativa no mercado. Já reconhecemos a importância da eficiência energética, agora apenas nos resta saber quem estará preparado para avançar com esta mudança.