Liderar na era da Inteligência Artificial começa nas pessoas

Por Sofia Laranjeira Santos, Country HR lead da ABB

Num momento em que a inteligência artificial (IA) domina o debate público e empresarial, é importante recentrar a discussão naquilo que é o verdadeiro impacto desta tecnologia no trabalho e na forma como as organizações se estruturam e evoluem.

Mais do que um factor de substituição, a IA está a afirmar-se como um catalisador de transformação e de capacitação, ao ampliar o potencial humano e desenvolver novas oportunidades de criação de valor.

A questão que durante algum tempo dominou a agenda, centrada na possibilidade de a IA substituir pessoas, revela-se hoje insuficiente para explicar a profundidade da mudança a que estamos a assistir. Hoje, vemos que a tecnologia está sobretudo a assumir tarefas repetitivas e operacionais, o que permite que os profissionais concentrem a sua energia em actividades de valor acrescentado, como o pensamento estratégico, a resolução de problemas complexos e a construção de relações de confiança com clientes e parceiros.

Sofia Laranjeira Santos, Country HR lead da ABB
Sofia Laranjeira Santos, Country HR lead da ABB
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Esta transformação é visível em várias áreas, como a engenharia, onde a utilização de modelos de análise preditiva permite antecipar falhas e evitar paragens, ou a jurídica, através de ferramentas inteligentes que aceleram a análise e a preparação de documentação, ou mesmo em funções de controlo interno, com a automação da detecção de anomalias a reduzir significativamente o esforço manual.

Assim, a questão verdadeiramente crítica deixa de estar centrada na tecnologia e passa a incidir na estratégia, nomeadamente na forma como as organizações estão a preparar as pessoas para este novo contexto. A transformação já está em curso e o factor diferenciador reside na capacidade de investir no desenvolvimento de competências que permitam uma colaboração eficaz entre humanos e sistemas inteligentes.

É também importante reconhecer que a diversidade geracional nas equipas pode constituir uma vantagem competitiva neste processo, dado que permite combinar experiência acumulada com novas formas de pensar e de interagir com a tecnologia, criando assim condições para uma adopção mais equilibrada e eficaz da IA.

No meio de toda esta transformação em curso, há um elemento que permanece constante: os valores organizacionais. São eles que orientam as decisões e asseguram que a adopção da tecnologia ocorre de forma responsável e alinhada com o propósito das organizações. A isto teremos de juntar factores essenciais como a coragem para explorar novas soluções, a responsabilidade para garantir que as pessoas são apoiadas, a curiosidade para aprender continuamente e a colaboração entre equipas e tecnologia.

Com tudo isto, o papel das organizações, e em particular das áreas de Recursos Humanos, assume uma relevância acrescida, sendo essencial promover uma cultura de aprendizagem contínua que vá além das competências técnicas e que valorize capacidades como o pensamento crítico, a empatia, o julgamento e a criatividade. Estas competências serão cada vez mais determinantes à medida que a tecnologia evolui e assume um papel mais presente nas operações.

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